Harold G. Koenig em Entrevista à Veja

Psiquiatra americano, autor da obra "Medicina, Religião e Saúde - o Encontro da Ciência e da Espiritualidade", além de outras 300 artigos e 40 livros sobre o assunto, concedeu entrevista às páginas amarelas da Revista Veja e trouxe os seguintes apontamentos em relação à temática:

Segundo Koenig, a religião, independente de qual se esteja falando, tem um impacto comprovável na sobrevida dos pacientes, até em torno de 35%, tendo em vista os benefícios que ele traz em termos de auto-estima, integração social e aquisição de hábitos saudáveis compartilhados em grupo.

Doenças relacionadas ao estresse são menos suscetíveis nos pacientes mais espiritualizados, tendo em vista o estresse afeta os sistemas fisiológicos de maneiras já conhecidas, enquanto que as pessoas com religiosidade possuem maior instrumental cognitivo para lidar com o estresse e portanto, os efeitos são mais reduzidos.

Doenças depressivas também acometem menos pessoas com espiritualidade, tendo em vista que a existência de algum tipo de sofrimento pessoal ou circunstância difícil na vida ganha um sentido e uma explicação. "O indivíduo não sofre sem razão nem se sente sozinho".

Com relação aos pacientes terminais, Koenig diz que: "O que podemos afirmar com segurança é que pacientes religiosos toleram melhor o processo da morte. Eles acreditam que não é o fim e, por isso, não ficam tão ansiosos. Sabem que vão para um lugar melhor no qual não sentirão mais dor ou mal-estar. Isso afeta a qualidade de vida da pessoa no período terminal e melhora a relação dela com a família."

Um profissional que lida com o paciente, "só de perguntar o quanto a religião é importante na vida dele" estará abrindo um canal para o atendimento das necessidades espirituais daquela pessoa.
 O importante é gerar uma situação na qual o paciente possa se sentir confortável ao tratar do assunto, especialmente na elaboração do testamento vital, no qual se estipula as medidas a serem tomadas em situações limite, tais como a ressucitação, tratamentos.
Por último, Koenig trata da questão da eutanásia e ortotanásia, cuja problemática passa a ser considerada no aumento da expectativa de vida da população, em razão do aumento dos custos médicos para se manter a vida. Se por um lado, por fim à vida não é uma decisão admissível, tratar ou procrastinar o desfecho da história natural da doença é algo que precisa ser enfrentado, segundo o autor.

Fonte: Revista Veja. 10 de Outubro de 2012. p.17-21. São Paulo,  Ed. Abril. Ed. 2290. Ano 45. n.41.