A Linguagem Terminal

Na obra "O Tunel e a Luz", Elisabeth Kübler Ross trata da linguagem terminal.

"Pessoas que estão sofrendo, pessoas que estão em choque, pessoas em estado de torpor, pessoas que são atingidas por uma tragédia que elas acreditam estar além de sua compreensão, além de sua capacidade de enfrentamento, usam essa linguagem" (ROSS, 2004, p. 17).

A linguagem terminal pode ser simbólica ou direta. Nos casos de linguagem simbólica, ela poderá ser verbal ou não verbal.

A linguagem direta está presente naqueles pacientes que transcenderam o medo da morte e conseguem conscientemente articular suas falas sobre a doença e expectativas sobre o assunto, em que estão imersos, assumindo o controle e as rédeas do processo de passagem.

Não obstante isso, na maior parte dos casos, o que se observa, perante a maioria das pessoas, é a adoção da linguam simbólica, em face da morte, ao não conseguir tratar diretamente do assunto. Seja por seu próprio medo, não aceitação do processo em curso ou em razão da incapacidade emocional de lidar com a situação, essas pessoas tendem a algumas posturas simbólicas: afastamento físico; isolamento, evitação da comunicação direta e comunicar-se simbolicamente.

Essas posturas acabam por fazer o paciente terminal se sentir sozinho ou isolado, com dificuldades em estabelecer o diálogo.

Para todos que permanecem na linguagem simbólica é que o apoio profissional deve ser focado, naquilo que, para Elisabeth Klüber Ross, ainda os prende à não aceitação de seu estado e que requer ser atendido. "Eles vão compartilhar com vocês a única coisa que precisam compartilhar, que é a sua tarefa inacabada". (ROSS, 2004, p.19).

A tarefa inacabada acabará por ser expressa em sua linguagem simbólica, verbalmente por parábolas, ou não verbalmente, por comportamentos ou mesmo desenhos.

O enfrentamento das tarefas inacabadas é essencial para a transcendência da temática e da situação do terminal, "afim de poderem ir adiante e enfrentar a morte iminente com paz e serenidade, sem medo e sofrimento" (ROSS,  2004,  p.20).

Ao não serem atendidas, por falhas e dificuldades de comunicação, as tarefas inacabadas por resultar em arrependimentos, autopunição e sentimentos antagônicos e mal resolvidos, entre os familiares após a partida.

Como entendemos que a partida deva se reconfigurar num momento de libertação e de continuidade positiva para um outro plano existencial, há que se ter consciência da necessidade de se atender ao paciente em suas necessidades.

Ross indica que a saída é saber se comunicar com o terminal, saber ouví-lo e algumas perguntas diretas podem ajudar nesse sentido:

a) "Quer que eu faça alguma coisa para a senhora?" (ROSS, 2004, p.17)

b) "Você está tentando me dizer alguma coisa, mas eu não estou entendo bem o que é. Diga de novo!" (ROSS, 2004, p.20).

Outrossim, o importante é soerguer a pessoa, manter-lhe a personificação, o que se obtém por dar-lhe o controle sobre o processo de passagem, conforme já dito em outros posts desse blog.