Os ciclos da vida acompanham os ritmos da natureza. Assim como o Sol nasce e se põe ao final do dia, a vida amanhece no nascimento e se põe na velhice ou na doença. Desse modo, o importante não é lutar contra os ciclos, mas saber aproveitar todos os momentos, pois a beleza não está só no amanhecer, mas também no entardecer.
No exemplo conhecido, narrado por Elisabeth Kluber-ross, médica tanatologista e de cuidados paliativos, o ciclo da vida pode ser expresso no casulo, que aprisiona a borboleta, até que essa tenha condições de alcançar seu voo, libertando-se de sua situação anterior.
A sabedoria de Kluber-ross ilustra bem a questão da morte, a qual atua enquanto ponto de libertação do casulo humano, envelhecido ou extremamente padecido, cuja programação existencial chegou ao fim. É a hora de partir, de voltar ao plano anterior ao nascimento, pois o casulo atingiu seu propósito e deve ceder espaço à liberdade da borboleta.
A sabedoria da natureza, com isso, mostra que mesmo o desforço tecnológico da Medicina tem seu fim, pois a imortalidade não está em permanecer ligado a máquinas, mas em saber a hora e como bem partir, deixando seu legado, ao mesmo tempo em que se liberta, para a aventura que virá a seguir.