Campeão Europeu de Corrida opta pelo Suicídio Assistido

Permitido em Lei na Bélgica e na Holanda, a opção pelo Suicídio Assistido, que não deve ser confundida com Eutanásia, permite ao paciente terminal evitar expor-se aos sofrimentos decorrentes da patologia em curso, sem cura e com tendência à piora continua do quadro.


Essa foi a opção do corredor belga, Emiel Pauwels, 95 anos, acometido de moléstia grave e terminal, em Bruxelas, Bélgica, fazendo o uso de um prerrogativa legal que lhe foi concedida, por seu foro íntimo e livre disposição, submeter-se ao procedimento de suicídio assistido.

Diferentemente da Eutanásia (homicídio), o Suicídio Assistido é uma prerrogativa conferida aos pacientes terminais, para evitar o prolongamento do sofrimento resultante do agravamento da patologia, cujo desfecho também será inevitavelmente a morte. 

Para que este procedimento pudesse ser aplicado, Emiel Pauwels teve que submeter seu pedido a um comitê nacional de saúde, formado multidisciplinarmente por médicos, juristas, psicólogos e outros profissionais, apresentando toda a documentação relativa à sua patologia e prognóstico do quadro.

Uma vez apresentado os documentos, ele teve que se apresentar em audiência perante este comitê, explanando livremente sobre sua opção e demonstrando estar lúcido e ciente do procedimento a ser realizado.

"Não tenho ressentimentos e nem medo da morte", afirmou, antes de morrer para a mídia local. "Quem é que não gostaria de ir cercado por amigos e bebendo champanhe", disse Emiel Pauwels.

Depois de aprovado pelo Estado (comitê), Emiel Pauwels ainda tinha a possibilidade de desistir do procedimento a qualquer momento, por sua livre determinação, assim como ter a liberdade para agendar a data, altera-la ou cancela-la.

O procedimento sempre é realizado em hospital público, no qual é livre ao paciente convidar seus parentes para acompanhar a sessão, na qual receberá três injeções letais (um sonífero, um relaxante muscular e uma substância responsável por provocar a parada cardíaca).

Deve ser verificado que Emiel era um lutador pela vida, consagrando-se campeão europeu sênior de corrida em 2012. Os aspectos morais da decisão, que somente dizem respeito a ele, demonstram uma opção pela bioética do bem-viver, uma vez que a doença terminal poderia lhe ocasionar muito sofrimento desnecessário e evitável.