Retidão na partida é a tomada do controle dos atos preparatórios da partida pelo paciente terminal ou pelo indivíduo em idade avançada, de maneira que tudo esteja linearmente estabelecido e regrado, para que se reduza e se desdramatize o evento em curso.
Retidão na partida depende da capacidade do indivíduo avançar no processo de luto instalado. Para tanto, há que se trabalhar os aspectos do binômio materialidade/espiritualidade de maneira que se possa desapegar-se aos poucos das condições materiais e se abra caminho ao que virá.
Nesse ponto, a família pode contribuir à desdramatização do processo de partida, auxiliando o paciente terminal ou idoso na realização dos atos preparatórios de maneira também linear, sem agregar a carga emocional excessiva a esses momentos delicados da vida humana.
Não se trata de ser frívolo ou apático. Mas pelo contrário, de focar-se no melhor, no aproveitamento daqueles momentos conjuntos para que as vontades do paciente ou do idoso sejam atendidas e que se compartilhe de experiências juntos.
Retidão é acima de tudo entender que o curso da vida material é linear. Ela tem um caminho a seguir e que, seu término é a porta de passagem à espiritualidade, um ato contínuo de partir, cuja sensação de perda deve ser substituída pela esperança do futuro encontro, sem todas as limitações da matéria.
Trata-se de uma mudança de conceitos e um retorno ao fato de que a passagem pela vida é algo temporário e remoto e que, a essencial do viver requer sempre uma partida ao seu final. Quem chega a esse conceito, atingiu a fase final do luto da partida, que é a aceitação de que a viagem em curso é somente um passo a mais no seguir infindável da existência.