A Sublimação na Partida: a Edificação e a Esperança

Em muitos posts já publicados, a questão de fundo é a sublimação. Conforme o criador do termo, Freud, a sublimação pode ser entendida como processo racional de canalização das energias psíquicas, com o fim de permitir o enfrentamento terapêutico das neuroses. Poderia ser entendida como uma válvula de escape emocional, o direcionamento das forças inconscientes a uma saída positiva e produtiva, capaz de gerar a cura da neurose pelo equilíbrio íntimo.

A Partida, como já observado, gera um desequilíbrio existencial no indivíduo e em sua família, uma avalanche de emoções, sentimentos, medos e conflitos, colocando a todos a par dos limites e da finitude da vida. Esse é o processo emocional da partida, o qual aqui se tenta ressignificar e as sublimações parecem ser a melhor opção para isso.

A primeira das grandes sublimações deve ser a Edificação. O labor transforma a partida. Nesse ponto, paciente e família podem transformar a fase da barganha (vide post para entender melhor), numa missão edificante, num processo em que se constrói uma história, deixa-se um legado ao mundo, uma história, uma marca, uma obra de caridade, de preservação ambiental, educacional.

Assumir essa postura retira a pessoa do egoísmo e a coloca no caminho do altruísmo, valoriza sua experiência, a torna cheia de significado, de superação e de exemplo de vida. Como exemplo dessa missão, assim o fez o Vice-presidente da República do governo Lula, José de Alencar.

A segunda das grandes sublimações deve ser a Esperança. Só a Esperança tem o poder de confrontar o medo da partida, o medo da perda, o medo da morte. Como dito por Elisabeth Kluber-ross, médica tanatologista e de cuidados paliativos, a Esperança acompanha os pacientes terminais até o fim. É ela a qual o paciente e a família se apegam nas horas difíceis.

Quando a Edificação é assumida como a primeira das sublimações, a Esperança a acompanha, pois edificar pressupõe acreditar num porvir melhor, em melhores condições da vida que resta, em melhores condições de partir e, espiritualmente, as oportunidades da grande viagem que virá a seguir.

Com a Edificação e com a Esperança, os assuntos pendentes podem ser trabalhados, recomposições e pegadas existenciais podem ser corrigidas e o medo, a raiva ou a tristeza, podem dar lugar à chegada iluminada da última fase do percurso, a da aceitação.

Aceitação que virá com um forte amparo da Esperança do porvir, do partir e da certeza de que o curso da história não termina ali e ao obreiro que deu um significado, um sentido especial à dor de sua partida, a convicção espiritual do que virá a seguir.