Quem ainda não teve contato com a série Breaking Bad, não sabe de seu sucesso de público e crítica. Ganhadora de vários prêmios, dentre eles um Emmy Awards e quatro Golden Globe Awards, a série retrata do drama fictício vivido por Walter White (Bryan Cranston), um professor de química do ensino secundário/médio, diagnosticado com uma doença terminal.
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| Foto: AMC |
O detalhe da trama dramática da série não é o desenvolvimento da doença terminal, mas sim as opções tomadas pelo paciente para lutar pela vida, voltando-se ao crime enquanto saída da morte.
No primeiro episódio, pode-se observar a vida um pacato professor de química, ganhador de prêmio Nobel no passado, mas que por escolhas da vida, acabou tendo ter que suportar um segundo emprego em um lava-autos, para sustentar a família, formada pela esposa, quarentona e grávida e do filho adolescente, com paralisia cerebral.
Suas dificuldades financeiras, somadas à frustração profissional, demonstram as dificuldades vida do personagem que, no dia do aniversário de 50 anos, depois de um mal súbito, vai ao hospital onde descobre estar enfermo de uma doença terminal, com prognóstico de vida de, no máximo, dois anos.
Sondando parentes que trabalham no departamento de entorpecentes da polícia, sem revelar seus propósitos, ele descobre como a produção de metanfetamina pode trazer muito dinheiro. Sabendo que sua família passará por dificuldades após a sua morte, ele escolhe então usar seus conhecimentos de químico para produzir drogas.
Duas frases marcam o primeiro e o último episódio da série. No primeiro episódio, ao ser perguntando por seu ex-aluno, agora sócio na produção de drogas, como uma pessoa toda certinha durante toda a vida adentraria ao crime, ele respondeu: "agora eu despertei para a vida". Já no último episódio, quando ele sabe que sua morte é certa e ele vai se despedir de sua mulher, ela pergunta por que ele fez tudo aquilo e ele responde: "fiz por mim, porque aquilo fazia me sentir vivo".
Interessante observar como o mecanismo de defesa perante a morte eminente se faz pela intensificação da vida, como é observado em pacientes terminais. Surge uma necessidade de viver, de realizar aquilo que ainda não foi feito, de experenciar sonhos e desejos, encontrar pessoas.
A série inova ao retratar o mecanismo de defesa perante a morte pela saída da criminalidade. Localizada na fase segunda fase do paciente terminal, a fase da raiva, essa ocorrência pode ser real, naqueles pacientes que procuram projetar o inconformismo da partida na agressão ao outro ou ao seu patrimônio.
Assim a série caminha assim até seu fim, quando, acometido pelo avançar da doença, Walter White pede para ser eliminado pelo seu ex-sócio, ainda tentando evitar a aceitação do curso de sua doença.
Não parece, no campo da ética da partida, ser essa uma opção avaliável. Como já dito, a partida é um momento de passagem, de mudança entre o mundo material e o mundo espiritual, no qual as pendências da vida material tem de ser equalizadas e positivadas e não agravadas em estigmas negativos.
Fonte: http://www.amctv.com/shows/breaking-bad Acessado em 03/10/2013.
