A Tanatofobia, medo da morte, é um problema cultural no Brasil. É um interdito falar sobre o assunto. Ou seja, esse é um assunto familiar proibido, mesmo em face de pacientes terminais já assim diagnosticados. Isso pode ser um grande erro, cujas consequências poderão durar décadas de brigas familiares e inventários judiciais longos, custosos e intermináveis.
Superstição real ou conhecimento científico provado? Algum paciente terminal que evitou falar no assunto deixou de morrer?
Tais questões demonstram que um certo despojamento é essencial em certas horas do caminho existencial e que, assim como é certo que a vida é finita, certo também é a possibilidade de que a partida deva ser vivenciada em seu curso natural.
Uma vez presente o caminho da partida, cabe ao passageiro repensar seus caminhos para vencer a tanatofobia, optar por zerar sua pegada existencial, recompor suas relações existenciais, antecipar a divisão da herança, iniciar sua preparação psicológica e espiritual do processo em curso.
Aos familiares, que também buscam abafar o assunto, há que se ter o despojamento de permitir ao ente querido assumir o controle de sua partida, vivenciando o processo da maneira como deseja ser vivenciado.
Interessante observar que, muitas vezes, só depois da morte é que a família consegue tocar no assunto. Tarde demais, momento em que o ente querido não mais estará presente.