A Mais Valia Existência é a medida individual da pessoa, no sentido de avaliar o quanto a vida lhe foi generosa e abundante, em comparação com a média das possibilidades de vida dos demais indivíduos de sua cidade, de seu país e do mundo. Com esse dado, é possível se estabelecer as medidas voluntárias de mitigação dos impactos existenciais a serem tomadas antes da partir, com vistas ao agradecimento ao mundo e a todos os demais, pelas oportunidades recebidas.
Atingir a esse estágio de auto-responsabilização existencial requer o desenvolvimento de valores morais supremos e também o despojamento necessário para realizar tais medidas, sem deixar de atender às necessidades de seus herdeiros.
Para Joshua Greene, autor da obra "Moral Tribes" (Tribos Morais), tal nível de fraternismo moral, perante demandas para além dos interesses individuais ou familiares (tribos tradicionais), requer o desenvolvimento de atributos mentais presentes no córtex pré-frontal humano, visando o atingimento de valores morais difusos, relativos a interesses da humanidade (a grande tribo moral).
Já está provado que o córtex pré-frontal é a região cerebral que abriga o chamado "superego", ou esfera moral, de juízos e controles que formam a mente humana. Os psicopatas, ou seja, aqueles que não possuem julgamento moral desenvolvido, são aqueles que apresentam deficiências no desenvolvimento do córtex pré-frontal.
No mesmo sentido, pelo lado oposto, aqueles que apresentam um maior desenvolvimento do córtex pré-frontal tendem a possuir uma gama de preocupações morais para além dos interesses privados, voltando-se também a preocupações com a espiritualidade, com a sustentabilidade, com a existência humana, com o bem-estar da humanidade.
Esse seria o grau mais elevado de moral, o qual habilita a pessoa ao entendimento da necessidade de se avaliar sua "Mais Valia Existencial", com vistas à tomada de decisões em prol da humanidade antes de partir ou em seu testamento.
Mesmo a aquele cuja vida não lhe foi grata ou tão generosa, sempre há espaço para a tomada de decisões, antes de partir, em prol da humanidade. Cada qual faz o que é possível e não é a quantidade que faz a diferença, mas sim, a decisão de assistir e mitigar (positivar) seu impacto existencial.
