Aeroportos e Hospitais: Partidas e Chegadas

Ficar na recepção de um hospital durante todo um dia pode permitir a observação de ocorrências similares aos dos portões de embarque e desembarque dos aeroportos. Nascimentos e falecimentos provocam emoções parecidas. Tristezas e alegrias são compartilhadas, especialmente pelos familiares presentes a esses momentos tão parecidos.

Quanto aos nascimentos, assim com a chegada de voos internacionais, há parentes a espera da chegada dos passageiros ou dos recém-nascidos, ávidos pelo contato com aquela pessoa, poder tocar-lhe, abraçar. É um momento de alegria, de encontro.

Assim, portões de desembarque e maternidades são muito similares. Provocam emoções parecidas e desejadas. Ansiedades, expectativas e alegrias da nova vida que chega de sua viagem.

Já UTI´s e portões de embarque também podem ser comparados. Quando ocorre a partida, seja pela morte do ente amado ou por seu deslocamento a uma viagem distante, por grande período de tempo, a família tende a sentir emoções similares. Tristeza, apego e vazio, com sensação de perda, são percepções corriqueiras.

Lágrimas nas despedidas dos entes queridos são comuns nos aeroportos. Assim como lágrimas quando a morte do parente querido é informada pelo médico à família. Por conseguinte, a despedida (morte) transforma hospitais em estações de partida, de decolagem.

Entender essas metáforas permite refletir sobre vida e seu caminho natural. Tudo não passa de uma viagem a ser bem aproveitada, entre a chegada e a partida, a qual pode se dar no mesmo aeroporto (hospital). E mesmo que essa última despedida não seja querida, para os dotados de espiritualidade, há que se entender que tudo não passa de mais uma viagem, com previsão de chegada ao novo destino.