Os Egípcios firmaram a primeira cultura a venerar a dessoma (morte). Para eles, a partida era um momento solene, de passagem entre planos existenciais.
Segundo Chico Xavier (2000, p. 42), na obra "Caminho da Luz", "em nenhuma civilização da Terra o culto da morte foi tão altamente desenvolvido".
Suas pirâmides, presentes até os dias de hoje, representam a grandeza e o respeito que tinham com a morte e a importância que nutriam em relação a outros planos existenciais.
Dentre os personagens da cultura egípcia, destaque deve ser dado a Osíris.
Osíris era figura chave no processo de partida. Considerado o "juiz dos mortos", presidia o "Tribunal de Osíris", o qual tinha a finalidade de avaliar a passagem e os méritos para a vida espiritual. A função do Tribunal de Osíris era sopesar as realizações humanas, pesando figurativamente o coração do passageiro, para verificar seus méritos ao adentrar ao outro plano.
A mitologia de Osíris também era ligada à natureza e aos animais. Casado com Ísis, deusa do amor e da magia, formavam o arquitípico casal, no qual o yang, a força, a regra, estão no masculino, enquanto o yin, a ternura e a força do oculto estão no feminino.
Num contexto aplicado, o Tribunal de Osíris é antecipado nas mediações em vida sugeridas pelo Direito de Partir. Não enquanto ato externo, de hetero-julgamento de condutas, mas enquanto ação autoavaliativa, individual, reavaliadora da existência humana.
São essas mediações que permitem se antever as necessidades de restabelecimentos entre pessoas, reconduções de condutas e acertos cármicos devidos, que se fazem necessárias antes da partida, momento do próprio passageiro sopesar seu coração.
Essa autoavaliação pessoal, personalíssima, individual, voluntaria, visa permitir que méritos sejam criados e que a passagem vindoura seja glorificada da melhor maneira possível, zerando-se as pegadas existenciais da vida que se finda, positivando-a com acertos, recomposições e outras ações, em vida, que se façam necessárias.