A Partida pode ser compreendida sobre dois pontos de vista bem diferentes. Se observado do ponto de vista material, trata-se do fim, do término, do encerramento e da perda de uma vida. Não obstante, pelo ponto de vista espiritual, a partida é o começo, uma janela ao contínuo processo infinito da espiritualidade.
Entender essas diferenças permite que o luto vivido antes e pós a partida, seja dotado de menos trauma emocional e mais esperança e conforto, quanto as decorrências do processo em curso.
Isso implica que somente a morte do corpo e suas decorrências em relação aos Direitos da Personalidade sejam tratadas do ponto de vista material.
No restante, especialmente no tocante à espiritualidade do processo, a partida é um ponto de reflexão na existência humana, uma oportunidade de encerrar um ciclo com magnanimidade. Para tanto, o entendimento de que as "as coisas devem ser colocadas em dia" pelo passageiro, requer uma ação dirigida ao partir.
Assim como quando viajamos colocamos tudo em dia, arrumamos a casa, as malas e deixamos nossos compromissos cumpridos, a partida final também requer esses procedimentos mateirais que, uma vez cumpridos, abrem caminho para que o processo espiritual da partida entre em curso até o início dessa viagem.
Na verdade, o binômio matéria-espírito entra em destaque na partida, ressaltando que ambas as ocorrências estarão em curso e que, uma vez iniciado o processo material, resta ao passageiro e à família colaborarem conjuntamente para o melhor andamento "para se colocar as coisas em dia".
Essa seria a atitude material-espiritual esperada no processo.
Desse modo, as decisões tomadas pelo passageiro são de sua exclusiva determinação e ninguém, salvo na perda de suas faculdades mentais ou por ilegalidade, e quando não houver testamento vital e patrimonial expressos, poderá tomar qualquer decisão contra a sua vontade.