Os tribunais espanhóis, incluindo sua corte suprema, negou-lhe o direito ao suicídio assistido, alegando se tratar de um pedido para a realização da eutanásia.
Para Ramón, em suas alegações, o caso deveria ser considerado suicídio assistido, uma vez que, o acidente que lhe transformou um objeto, pois não lhe retirou somente os movimentos de todo o corpo, mas também lhe retirou a dignidade de viver, o questaria a ferir o "Princípio da Dignidade Humana" que, nesses casos, não poderia ser considerado inferior ao "Direito à Vida". Para ele, não se poderia falar e vida sem dignidade, logo, em seu caso, a única saída seria o suicídio assistido. Já para a corte, a vida estaria acima da dignidade e nada poderia justificar a sua retirada, autorizada pelo Estado, o que se revestiria em uma pena de morte às avessas (eutanásia).
Deve ficar claro que Ramón foi buscar a tutela jurisdicional do Estado pois não encontrou meio de retirar a própria vida sozinho, em razão da sua total ausência de movimentos, e também em razão de sua família não concordar em auxiliá-lo nessa realização.
Ramón pleiteou em todas as instâncias possíveis e fez muitas de suas defesas pessoalmente, até que a decisão final da corte suprema decretou a coisa julgada ao caso (decisão contra a qual não cabe mais recurso). Quando isso ocorreu, Ramón entrou em grave caso depressivo.
Sua angústia e determinação durou até que ele conheceu a enfermeira que, comovida por sua condição de sofrimento, realizou os preparativos necessários para que, em imagem gravada em vídeo, ele realizasse o procedimento de tirar a própria vida sozinho, ingerindo as substâncias que provocaram a sua morte.
Um filme importante para ser assistido e debatido, no âmbido da Bioética, uma vez que permite observar e analisar quais os limites da vida humana. Serve também para ser transcendido à esfera dos pacientes terminais, os limites da dignidade humana em face de máquinas que podem perpetuar sofrimentos, quando o desfecho da doença já está definido, o que abre espaço para a realização legal da ortotanásia no Brasil.