"Amar significa não impor nossa força sobre o nosso semelhante, mas oferecer-lhe a nossa ajuda. E, se ele recusar, orgulhar-se de que ele possa conseguir com as próprias forças" (ELISABETH KLUBER-ROSS, 2005, p.148).
Nas filas dos hospitais por vezes se vê cenas estarrecedoras. Filhos incomodados de ter que acompanhar seus pais ao tratamento contínuo, descontando sua raiva e agindo de maneira agressiva com aqueles que durante toda a sua vida, doaram-se para a sua criação.
Num ato inconsciente, isso exterioriza não só a contrariedade em estar ali, mas o desejo implícido de que aquilo acabe logo.
São tais tipos de reações, por vezes esperadas em qualquer ser humano, que demonstram os três grandes sentimentos em face da morte: a raiva, o medo e a culpa.
Modificar esse padrão de sensações é necessário para que, num futuro, isso não venha à tona novamente, contra a própria filha, que então poderá adentar em processo de culpa por não ter dado o suporte suficiente à sua mãe.
Assim, é importante deixar de pensar um pouco em si, nesses casos, e procurar atender às necessidades do paciente. Se ele tem preferências e necessidades, os quais são sucetíveis de serem cumpridos e não acarretam danos a ele ou a ninguém, há que se permitir sua satisfação.
É também importante que não se fique com assuntos pendentes na partida. Assuntos estes que podem retornar em formado de culpa e remorso nos familiares.
Elisabeth Kluber-ross, em sua obra "Viver até dizer adeus" cita inúmeros exemplos de pacientes terminais e sua forma de passagem. Desde a criança terminal que sabe de próxima morte e tem seu conforto em ver a mãe, suas brinquedos e seu cachorrinho por perto, até aqueles que lutam bravamente até o fim ou daqueles que, negar a doença, significa morrer com dignidade.
Para todos esses, para todos nós e para todos que ainda virão e também irão um dia partir, o importante e ressignificar a partida e entender que, o mais importante e viver plenamente até mesmo quando isso signifique viver os atos da passagem.
"No curso de uma doença terminal, podemos desistir, podemos exigir atenção, podemos gritar, podemos ficar totalmente inválidos muito antes do necessário. Podemos jogar toda a nossa raiva e o nosso sentimento de injustiça sobre os outros e tornar a vida deles insuportável. Ou temos a escolha de concluir o nosso trabalho, de fazer o que formos capazes de fazer, e assim influenciar muitas vidas com a nossa luta heróica e a consciência do sentido da nossa existência" (KLUBER-ROSS, 2005, p.16).
Fonte: KLUBER-ROSS, Elisabeth. Viver até dizer adeus. São Paulo: Pensamento, 2005.