Ressignificando a Tanatofobia

O medo da morte decorre da completa sujeição para a qual a vida é levada ao seu final. Mas o medo de morrer (tanatofobia) pode também dar espaço à acentuação do desejo de viver. Nesse sentido, a Tanatologia ou Estudo sobre a Morte e o Morrer pode servir de grande descoberta da importância do bem viver.

Em seus seminários em Shanti Nilaya, no retiro criado por Elisabeth Kluber-ross (vide post sobre o assunto), o público-alvo não era somente os pacientes terminais ou suas famílias. Ali também se recebiam pessoas interessas na busca por uma ressignificação de suas vidas.

Tal experiência era útil para a ressignificação de suas vidas, da importância de se aproveitar os bons dias de Sol, o tempo livro para a edificação de coisas úteis, a construção de relações saudáveis e, principalmente, a priorização daquilo que valia realmente a pena ser vivido.

A presença da morte ou a proximidade dela, traz, segundo Kluber-ross (2005, p.21), uma crise profunda de ressignificação ao ser humano. Passam a surgir perguntas profundas e abrem-se possibilidades de se "ir até o fundo em questões que nunca enfrentamos" nos dias de Sol, na busca de encontrar nossa essência existencial, cumprir nosso potencial humano inato.

"A minha preocupação durante os anos subsequentes foi encontrar uma resposta à pergunta sobre como realizar esse potencial, não só em nós mesmos, mas nas pessoas com que nos envolvemos. As pessoas, em meio aos afazeres da vida, ocupadas com a carreira, os estudos, a formação da família, preocupadas em ganhar dinheiro, além de pensar no futuro, provalvelmente não estão em busca de respostas a tais indagações filosóficas" (KLUBER-ROSS,  2005, p. 21).

É nesse sentido que o estudo da Tanatologia passa a ser útil como balizador da vida, de dar a condução da vida a um caminho de realização do potencial humano.