Elisabeth Kluber-ross, médica especializada em tanatologia e cuidados paliativos, idealizou e efetivou em 1977, nos EUA, a criação de seu Shanti Nilaya, cujas palavras significam "Último Recanto de Paz", localizado nas montanhas da Califórnia.
Durante os quase vinte anos seguintes (até o seu falecimento em 2004), foi ali que ela e sua equipe realizaram seminários semanais sobre a temática da "vida, a morte e a transição", assim como realizaram o atendimento de milhares de profissionais da saúde, pessoas interessadas na temática, familiares e pacientes.
"Conforme esperamos, Shanti Nilaya deve ser um lugar de paz para aqueles que buscam respostas sobre o significado e o sentido da vida e da morte, do sofrimento e da dor, não só do corpo físico, mas também do ser humano como um todo. O nosso sonho é sermos capazes de logo começar a construir outro Shanti Nilaya, e que nos próximos dez anos sejamos capazes de inaugurar um Shanti Nilaya em cada unidade federativa dos Estados Unidos e até mesmo no exterior - sendo esse um abrigo não só para os moribundos, mas para todos aqueles que tenham coragem de encarar os próprios medos e que, em vez de evitá-los ou reprimí-los, estjam dispostos a superá-los e transcendê-los" (KLUBER-ROSS, 2005, p. 148).
Mais uma vez que o vemos é a necessidade de estabelecer-se espaços sagrados, santuários direcionados a certas temáticas específicas. No caso da proposta dos Shanti Nilaya, de Elisabeth Kluber-ross, o direcionamento dos santuários é voltado exatamente à temática da passagem.
Em sua obra "Viver até Dizer Adeus", Elisabeth Kluber-ross retrata também o papel dos asilos, na realização desta atividade. No Brasil, assim como no exterior, o asilo passou a ser um local receptivo a idosos, cujas famílias não dispõe de condições de mantê-los, ou mesmo daqueles que se encontram abandonados.
Ao propor a criação dos Shanti Nilaya, a autora pretendeu transcender à ideia do asilo, ao incluir nesses espaços os "centros de desenvolvimento e cura pessoal", voltados ao processo terapêutico de enfrentamento da temática do luto, da perda e da passagem.
"Permitimos aos participantes compartilhar o próprio pesar, a solução das suas questões mal-resolvidas, o questionamentos dos seus próprios medos e culpas, e os ajudamos a se aliviar e externar os sentimentos negativos, no sentido de encontrar a paz e eliminar o verdadeiro dreno de energia que sempre acompanha o esforço para reprimir todos esses sentimentos negativos" (2005, p.143).
Para Elisabeth Kluber-ross, os Shanti Nilaya não eram apenas espaços para os que estão em face da partir, mas para todos que buscam uma ressignificação do viver. Local de buscar respostas profundas para as questões da existência para saber bem viver, sem ter que esperar uma doença grave para ter que se confrontar com essas questões e mudar tudo o que se pode mudar agora, enquanto a vida ainda é plena e cheia de possibilidades.
"Espero que este trabalho em conjunto nos leve a refletir sobre a vida, sobre a maneira como você e eu passamos os nossos dias e nossas noites. Que este livro ajude a todos, assim espero, a avaliar o modo como vivem e morrem a cada momento." (2005, p.15)
Fonte: KLUBER-ROSS, Elisabeth. Viver até dizer adeus. São Paulo: Pensamento, 2005.