Nascente e Poente, Nascer e Morrer

Se olharmos rapidamente para a foto abaixo, poderemos ter a errônea noção de se estar observando a um lindo pôr do sol. Não obstante, sua visão está errada, pois a imagem se trata de um nascente, com o sol surgindo com toda a sua força e esplendor.
Foto: Canoa Quebrada. S.R.Martinez

Assim pode também ser a nossa vida. Quando achamos que tudo está por acabar, que o fim está ali delimitado, poderemos estar apenas tendo uma visão errônea do momento.

A Partida, assim os dias, são apenas um momento num grande contínuo existêncial, nos quais o nascente e o poente representam momentos específicos de passagem, entre situações essenciais, que provocaram alteração, mas que não terminarão com o esplêndido ciclo espiritual da consciência.

Mas entender esse processo não é o suficiente, é preciso também vivê-lo de maneira plena, pois tanto o nascente quanto o poente tem suas belezas e desafios a serem cumpridos.

Enquanto o nascer do sol nos promete um dia de céu azul sob a praia, o poente nos promete uma noite de luar sob as dunas.

Para os orientais, no I Ching, esse é o ciclo do Yin e Yang, que se complementam, formando um todo perfeito, infinito e circular.

Assim, os arrependimentos, as amarguras e as raivas, do que não foi e poderia ter sido, das desavenças e desamores, devem ceder lugar ao labor, à edificação honrosa da partida, a uma ação benevolente dirigida ao próximo dia que futuramente virá.

Assim como sabemos que cada dia é um novo dia, deveremos ter a convicção de que a partida é só uma etapa no grande ciclo contínuo e, com isso, é chegado ao momento de se preparar e encerrar as atividades daquele dia, para que os próximos sejam tão perfeitos como o dia de hoje.