Case Brittany: entre o direito de partir e a pressão social tanatofóbica

Não espere aceitação social do direito de partir, mesmo nos casos em que o paciente terminal apresente dores intensas, contínuas e agudas. Muitas vezes, a própria família pode ter dificuldades em lidar com o assunto, por tabus religiosos e morais, a conflitar com o reconhecimento de que a vida requer dignidade para ser vivida.

Foi assim que ocorreu no caso Brittany, a jovem acometida de cancer cerebral, que criou um projeto para divulgar a causa do direito de partir com dignidade (vide post anterior sobre o assunto).

Como ela havia datado o dia em que tomaria as pílulas dessomativas e divulgou isso publicamente, houve muita pressão social contra a ocorrência, de tal modo que ela teve que declarar que havia desistido. Tal notícia foi amplamente divulgada na imprensa.

Pois bem, no dia 1º de novembro, conforme planejado, ela realizou o ato, em sua casa, cercada de seus entes queridos, partindo para sua viagem espiritual nessa data. A família somente divulgou o assunto no dia seguinte.

Mas porque toda essa comoção social em torno do assunto? 

Na verdade, além dos tabus morais e religiosos acerca da temática, existe a chamada Tanatofobia, ou seja, o medo da própria morte. Assim, uma pessoa que se expõe sobre sua morte iminente, causa um incômodo social aos que presenciam o fato, de tal maneira que, por estarem expostos diante de sua própria finitude, acabam por negá-la, por meio de tentar evitar sua ocorrência.

Trata-se da primeira fase do luto, chamada de negação, o qual vivenciam aqueles que estão expostos a uma morte iminente. Nessa fase, o mecanismo psicológica trata de buscar negar a possibilidade de morrer. Nega-se qualquer coisa, até mesmo o sofrimento perante o qual o paciente terminal possa estar exposto.

No caso Brittany, há que se observar que ela e a família também devem ter passado pela fase da negação. Não obstante, ao decidirem pelo direito de partir, sua condição psíquica refletia o atingimento da quinta e última fase do luto, a chamada aceitação.  

Por isso, o caso trás uma lição a todos, sobre a necessidade de respeitar à condição humana do paciente terminal, o seu momento vivido, pois, com certeza, ele já passou por todas as fases e provações do caminho, antes de fazer sua opção final.

Para ler mais:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/11/1542393-morre-nos-eua-jovem-com-cancer-que-planejou-seu-suicidio-assistido.shtml  Acessado em 03/11/2014.

 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141030_jovem_morte_ultimo_mdb  Acessado em 03/11/2014.

http://www.thebrittanyfund.org/?nlb=1 Acessado em 04/11/2014.