O sentir em face da Partida

Sempre que alguém morre ou estas em vias de falecer, a exemplo de um paciente terminal, sentimentos afloram nos familiares e nas pessoas próximas ao indivíduo. Trata-se de uma reação normal do aparelho psíquico, uma necessidade humana de externalizar os sentimentos vividos.

Há diferentes reações e diferentes sentimentos. Desde a tristeza até o bem-querer reavivado, cada qual acaba por responder a essa ocorrência conforme sua estruturação emocional. Assim, uns podem ser mais atingidos em seus sentimentos, expressando tristeza, enquanto outros podem até expressar alívio, em razão do encerramento de sofrimento observado.

De todas as maneiras, um pensar ou repensar é encadeado nesses momentos críticos e finais da existência por quem os acompanha. Não há como se passar em branco, quando se tem algum tipo de conexão com a pessoa que está a partir.

Lembranças de momentos bons, ou de situações que agora, observando-se bem, devem ser relevadas. Evocações de coisas que digam respeito à pessoa e quaisquer demonstrações de afeto e respeito são reações positivas nesses momentos, permitindo que se cumpra o ritual interno de despedida, em face daquele que partiu. Uns irão verbalizar isso, outros irão apenas observar, cada qual dentro de sua perspectiva afetiva da passagem.

Isso é uma decorrência natural do processo do luto, da reestruturação psicológica em curso, com a ressignificação de um estado de presença, para um estado de ausência. Tentar racionalizar e afastar essas ocorrências, na verdade, também é uma resposta emocional, um mecanismo de defesa, usual quando a pessoa precisa manter-se hígida em face de determinada situação ou grupo social.

De todo modo, partir é algo da natureza biológica humana. Uma mudança no curso da matéria ao espírito. Uma passagem atemporal não só para quem está a partir, mas também por quem acompanha a partida. São sentimentos que demonstram a maneira gregária como construímos nossas razões e afetos.

Dia 29/06/2015 - Em homenagem ao grande mestre com carinho, Prof. Waldo Vieira.