Fosfoetanolamina: Desespero e Esperança em Pacientes Terminais

Pacientes terminais e suas famílias, a partir de seu prognóstico de terminalidade, tendem a adentrar ao processo de luto, pela perda evidente da vida querida, que ocorrerá em prazo certo. Esse é um momento emocionalmente desesperador e irá desenvolver uma série de sentimentos e de reações defensivas.

Dentre as fases do luto, a primeira delas se caracteriza pela negação, ou seja, o paciente terminal e sua família tentarão novo diagnóstico, buscarão novas alternativas terapêuticas e saídas espirituais, gastando e procurando obter toda a ajuda possível à sobrevida do ente querido.

É nessa fase que surge a esperança de que um novo medicamento possa fazer aquilo que não foi possível de ser obtido, como arsenal quimioterápico da Medicina, a cura da doença. Busca-se então, aquilo que ainda não está reconhecido pelas agências de regulação, como a ANVISA, e que esteja ainda em fase de estudos e experimentos, são as chamadas terapias experimentais.

Como o nível de racionalidade é contaminado pela emoção, qualquer possível medicamento em testes, que esteja disponível e independente dos riscos e efeitos colaterais pouco conhecidos, será buscado pela família enquanto fio de esperança final.

É nessa hora que os embusteiros, estelionatários e outros profissionais sem ética entram em ação, oferendo de tudo, desde novos medicamentos advindos de Cuba até substâncias mágicas que, na sua lábia criminosa, são proibidos no Brasil por algum complô das industrias farmacêuticas ou da Anvisa, por pretensos interesses dos médicos, em viver do sofrimento dos seus pacientes.

Nessa hora, muita gente esquece os milhões de Dólares que as industrias farmacêuticas gastam anualmente no desenvolvimento e aquisição de patentes. Trata-se de um mercado altamente lucrativo, pois qualquer medicamento aprovado contra o câncer gerará lucros mundiais. Daí que, se investem milhões, é porque esperam retorno financeiro muito maior e sempre estão à procura de novas patentes a serem adquiridas a preço de outro. 

Veja o exemplo da patente do primeiro medicamento (flibanserina) liberado nos EUA, para promover o prazer sexual feminino. Ela foi vendida por U$ 1.000.000.000,00 (Um bilhão de Dólares) no dia seguinte à sua aprovação pelo órgão regulador americano, a Food and Drugs Administration (FDA). Imagine quando não se pagaria à USP pela patente de um medicamento capaz de curar o câncer?

Logo, achar que, pelo contrário, a industria farmacêutica ou a ANVISA seriam contrárias a um novo medicamento desenvolvido no Brasil é, no mínimo, uma idealização romântica, inocente sobre a lógica do lucrativo mercado farmacêutico. 

Outrossim, mesmo que a Fosfoetanolamina possa, em hipótese, produzir algum tipo de efeito benéfico no tratamento de neoplasias, há a necessidade ainda de muita pesquisa a ser realizada até que se possa responder, com segurança, sobre os efeitos do uso dessa substância descritos a seguir: 

a) esse medicamento produz realmente resultados efetivos ou somente efeito placebo?

b) quais são os resultados e em quais tipos de neoplasias?

c) qual a dose a ser utilizada, levando em consideração sua biodisponibilidade?

d) quais são os efeitos colaterais e riscos ao paciente terminal no uso dessa substância?

e) quem pode utilizar e por quanto tempo?

Para quem ainda não se convenceu e mantém a esperança em respostas mágicas e teorias da conspiração, alerta-se que o uso da fosfoetanolamina pode até agravar o avanço das condições do paciente terminal. Assim, recomenda-se assistir ao vídeo produzido pelo médico Drauzio Varella, clicando aqui.