Uma das coisas mais desagradáveis que se pode observar, em face de um paciente grave, está na insensibilidade de familiares em face do seu estado de saúde, ao insistirem em tocar na questão da herança a ser deixada.
Vê-se isso até nos corredores dos hospitais, antes de consultas médicas, onde os parentes que acompanham os pais, aproveitam do momento para forçar a conversa sobre o assunto. Esquecem, essas pessoas, que seus pais ou parentes estão ali única e exclusivamente para receberem tratamento, pois mantém a esperança na cura e na continuidade da suas vidas. Não estão em hospitais por que querem, aliás, quem gosta de ficar internado em hospitais?
Isso reflete uma grande indelicadeza e por que não dizer, falta de respeito, aproveitando-se da fragilidade emocional vivida no momento, impondo seus interesses, acima das necessidades de carinho, atenção e tranquilidade e conforto que o momento requer.
Como já dito aqui neste blog, a herança somente surge após a partida. Antes disso, é prerrogativa íntima, individual e privativa do indivíduo regular seus interesses da maneira que bem provier, sem ter que dar satisfação a ninguém.
Pode até dispor em vida de tudo o que possui e não deixar nada para ninguém. Ou pode fazer um testamento para deixar 50% do que possui para outras pessoas que não são seus herdeiros necessários, ou ainda, fazer um testamento para estipular como vai ser a divisão entre os hedeiros necessários.
Mas tudo isso, repete-se, só é de interesse do indivíduo, que não tem o dever de prestar satisfação ou submeter-se ao interesse de qualquer parente e pode, não querer tratar desse assunto em nenhum momento.
Por outro lado, se quiser tratar do assunto, o melhor nesses casos, é que o indivíduo tome as rédeas e determine desde logo seus interesses sucessórios, publicamente, com alguns de sua confiança ou em sigilo, afastando assim os momentos inconvenientes que podem surgir.