Fases da Partida: 1 Negação

            Um dos primeiros mecanismos de defesa do ego, verificados em pessoas quando sabem que estão acometidas de doenças graves ou incuráveis, é a negação.
            Segundo Elisabeth Klüber Ross, na obra "Sobre a Morte e o Morrer", a presença dos mecanismos de defesa do ego, são essenciais para que o paciente possa lidar com o processo.
            Nesse sentido, a negação, num primeiro momento, é essencial para que se possa "digerir" mentalmente o ocorrido e assimilar o enfrentamento do processo de passagem iniciado.
            A negação também é essencial para estimular a busca de um segundo ou terceiro diagnóstico, para confirmar não só a gravidade do caso, mas também as possibilidades terapêuticas existentes e sugeridas por diferentes médicos.
            Em certas circunstâncias, há  casos de manutenção negação, mesmo após a confirmação do diagnóstico por vários médicos e exames preciso.
            Quando isso ocorre, passa a ser necessária a intervenção da família para evitar o avanço de doença e iniciar rapidamente o tratamento e assim, aumentar as expectativas de melhora.
            Durante a negação, o paciente tem a prerrogativa de reservar-se, garantido o seu direito à privacidade, evitando a divulgação pública e mesmo familiar, da existência da doença.
            Desde que procure buscar novas avaliações médicas ou inicie o tratamento, a família deve respeitar sua opção de privacidade e manter a informação em sigilo, dentro do círculo íntimo de conhecimento.
            Com o tempo e a aceitação do tratamento, o paciente poderá superar a fase da negação e, em casos de bom prognóstico de cura, começar a tocar no assunto com naturalidade.
            Não obstante, em caso de piora do prognóstico da evolução da doença, o  paciente pode avançar na fase, negando a piora do quadro da enfermidade.
            É importante ter em mente que nesta fase será difícil o paciente desejar tocar no assunto sobre a piora do quadro de sua doença. Logo, não será momento de tratar da sua possível partida, para fins de que ele possa pensar em como colocará em ordem suas coisas e interesses sucessórios.
            Assim, respeitado o direito privativo do paciente, qualquer imposição sobre a temática pela família é desagradável e reflete uma invasão da privacidade.