Conforme já tratado em outro post, uma das questões centrais da Medicina está no dever do médico informar ao paciente sobre o seu diagnóstico e o prognóstico de sua patologia. Este ato de comunicação é essencial, não só para garantir o direito de informação do paciente, mas para que a relação terapêutica estabelecida entre médico e paciente seja eficaz.
Por eficaz, também deve ser entendida a possibilidade do médico não criar expectativas negativas no seu paciente, mas, pelo contrário, gerar-lhe esperanças e confiança de que, o necessário e todo o possível será realizado a busca da cura ou, em última hipótese, para minorar qualquer tipo de sofrimento possível no caminho.
Logo, ao médico cabe a tarefa do saber contar. Saber contar ao paciente sobre o diagnóstico e saber gerar a empatia necessária ao seu paciente para reagir e manter suas esperanças no melhor.
Segundo Elisabeth Kluber-ross (2012, p.35), "acho que especificar o número de meses ou anos de vida é a pior conduta com qualquer paciente, por mais forte que ele seja".
Nesses casos, o importante não é o exato tempo da partida, mas o dever do médico informar ao seu paciente a necessidade pensar sobre manter seus negócios em ordem, de maneira a ser cauteloso em face do eventual desenvolvimento do curso da doença, que não possa mais contar com sua presença efetiva.
Isso não retirará a esperança do paciente. Por outro lado, permitirá o contato prévio e necessário com os atos necessários e preventidos à partida, enquanto o paciente tem todas as condições de estabelecer as diretrizes do processo (testamento patrimonial e vital).
"Nestes casos, acho até que um médico compreensivo e cauteloso pode comunicar a seu paciente que é melhor por em ordem suas coisas enquanto dispõe de tempo e força, em vez de ficar esperando." (KLUBER-ROSS, 2012, p.35).
Esse é o espaço para que o paciente terá para se antecipar a qualquer intercorrência, com possibilidades de autoregulação de seus interesses sucessórios, com a esperança de que, a cura ou a partir são partes do mesmo processo em curso, ao qual ele está exposto e que requer uma revisão de sua vida.