Fases da Partida: 2 Raiva

"Quando não é mais possível manter firme o primeiro estágio da negação, ele é substituído por sentimentos de raiva, de revolta, de inveja e de ressentimento. Surge, lógica, uma pergunta: Por que eu?" (KLUBER-ROSS,  2012,  p. 55).

Esse é um momento crítico para o paciente grave, o qual tenderá a projetar nos demais vários sentimentos seu agressividade.

Há que se focar no carinho, a atenção e procurar escutar e entender as angústias do momento vivido. O importante e se focar na assistência e não alimentar o processo. Não é o momento de se trazer à tona problemas, questões polêmicas ou desagradáveis.

Profissionais de saúde também podem ter problemas de relacionamento com seus pacientes nessas fases. Por isso, é de suma importância a conscientização desses profissionais e escolha daqueles que tenham mais perfil para lidar com pacientes nessa fase.

Segundo Elisabeth Kluber-ross (2012, p. 60-61), pessoas dominadoras e controladoras são as que mais demonstram sua agressividade nessa fase. Pois elas perdem sua posição de controle e precisam se submetidas ao tratamento. Daí externalizam sua agressividade às pessoas a sua volta. "Lutam até o fim e, não raro, perdem a oportunidade de aceitar humildemente a morte, como um desenlance inevitável. Provocam rejeiçao e raiva e, apesar de tudo, são os mais desesperados de todos."

A saída nesses casos é pelo acolhimento até aplacar o predomínio desse mecanismo de defesa do ego. A busca pela espiritualidade, por outro lado, é o caminho para a recuperação do controle sobre o processo da partida e deve ser o caminho a ser galgado, por quem sair da posição da vítima para a posição do transcendente.

Outrossim, a determinação do testamento vital, com os limites dos procedimentos terapêuticos a serem adotados, estabelece o controle prévio, nas mãos do paciente, ao que deseja ser submetido, se necessário futuramente, e ao que pretende evitar, em termos de prolongamento desnecessário de procedimentos, ao que possa ser submetido, evitando decisões fora do seu controle.