Fases da Partida: 3 Barganha

A Barganha é um mecanismo de negociação. Externa ou interna, a barganha visa obter algo, em troca de outro, estabelecendo-se um compromisso, íntimo ou público, caso o resultado seja obtido. Muitas vezes sobre o nome de promessa, a barganha muitas vezes, em face da passagem, tem caráter religioso.
A Fase da Barganha pode acontecer a qualquer momento e novas promessas podem ser feitas conforme se vá evoluindo a doença. Ela tende a substituir a fase da raiva, pela mudança do mecanismo de defesa em curso, já que agora a tentativa é obter algo (cura, melhoria, diminuição da dor, bem-estar) com boas ações ou intenções.

Segundo Elisabeth Kluber-ross (2012, p. 89-90), a barganha de pacientes graves tem algumas características:

a) A barganha geralmente visa um adiamento, enquanto prêmio oferecido por um bom comportamento ou uma promessa futura a ser cumprida;

b) Com relação às promessas, geralmente muitas delas tem fins religiosos, de "uma vida dedicada a Deus" ou "uma vida a serviço da Igreja", outras visam fazer doações, até mesmo do seu corpo no futuro;

c) As promessas podem estar associadas a culpas inconscientes ou autopunições sobre pretensos erros do passado, com temores irracionais futuros (pós-morte), que tendem a ser reduzidos em terapia.

Essa é uma fase importante em relação à partida, pois uma parte dessas culpas podem ser conscientizadas e reparadas em tempo, recompondo-se erros do passado com pessoas e situações.

São situações passadas, os quais permanecem em aberto e que, independente de ser obter as benesses pretendidas na barganha, infligem o sentimento de culpa e podem ser resolvidas neste momento. O importante aqui é a conscientização do processo, o qual se faz por terapia, desde que o paciente assim o queira. Caso contrário, há que se respeitar suas crenças, promessas e esperanças.

"Para nós, esse é um comportamento humano absolutamente normal. Nunca questionaríamos essas promessas, mesmo sabendo que serão substituídas por outras mais à frente. É importante sabermos controlar os nossos sentimentos e as nossas próprias projeções o tempo todo, para ajudar e prestar um serviço ao paciente, e não às nossas necessidades" (KLUBER-ROSS, 2005, p. 26).