A depressão representa o fim da esperança. Ela decorre das perdas que vão ocorrendo no transcorrer da evolução do quadro grave do paciente e abragem perdas de autonomia, independência, financeiras, pessoais e estéticas. Esse é o primeiro tipo de depressão nessa fase, segundo Elisabeth Kluber-ross.
Essa depressão das perdas, as quais refletem o final da fase da negação e da raiva, pois já não se pode negar e não há mais como se lutar contra o processo em curso.
Quanto a essa depressão, a melhor atenção e o melhor cuidado está em atenuar as perdas, demonstrando de modo positivo pontos de vista não observados, mantendo o lado alegre da vida, para que o paciente possa entender que a vida continua e tudo pode ser adaptado.
Dessa depressão inicial, chega-se à depressão preparatória, aquela na qual o paciente adentra ao espaço do inicial da passagem.
"No pesar preparatório, há pouca ou nenhuma necessidade de palavras. É mais um sentimento que se exprime mutuamente, traduzido, em geral, por um toque carinhoso de mão, um afago nos cabelos, ou apenas por um silencioso 'sentar-se ao lado'. É esta a hora em que o paciente pode pedir para rezar em que começa a se ocupar com coisas que estão à sua frente e não com as que ficam para trás" (KLUBER-ROSS, 2012, p. 94).
Nesse momento, a espiritualidade da partida tem espaço para vir à tona. A pessoa avança para transcender o espaço da esperança perdida e adentra a um novo momento de esperança, sobre o futuro espiritual que se inicia. Um momento íntimo que não tem como ser externalizado e que inicia a próxima fase que virá.