A fase da aceitação vem logo depois do final da depressão preparatória. O paciente começa então a se desligar das pessoas e das coisas que ainda o conectam a esse mundo material. Essa fase é complexa principalmente para os parentes, os quais sentiram o afastamento do paciente. Seu silêncio agora não é mais depressivo, passa a ser contemplativo. O início da partida está em curso.
O paciente que conseguiu superar as fases anteriores adentrará a um estágio de contemplação. Seu desinteresse pelos assuntos da vida, pela televisão, por conversar com as visitas será abreviado. Ele passa a fechar-se em seu mundo interior, a espera da partida.
Mas isso não significa que deseja ficar sozinho, apenas o que desejará é o silêncio, a companhia de um aberto de mãos, sentar-se ao lado e trocar a ternura da presença dos parentes mais próximos.
"Uma visita à noitinha pode ser ótima para um encontro deste tipo, pois tanto para o visitante como para o paciente é o final do dia. É a hora em que o serviço do hospital não vem interromper estes momentos, nem a faxineira aparece para esfregar o chão. Estes breves momentos íntimos podem coroar o dia ao final das rondas médicas, quando ninguém mais o perturba. Não passam de breves momentos mas, para o paciente, é reconfortante sentir que não esquecido quando nada mais pode ser feito por ele. É gratificante inclusive para o visitante, pois isto vem mostrar que a morte não é uma coisa horrível, medonha, que tantos querem evitar." (KLUBER-ROSS, 2012, p.118).
Os pacientes mais idosos e enfraquecidos tendem a adentrar mais facilmente nessa fase, pois seu passivo de coisas pendentes não é prioritário.
Por outro lado, há aqueles pacientes que se mantém ainda nas fases anteriores, para os quais a luta é parte do processo em curso e que tentaram sobreviver até o fim, "deixando transparecer que aceitar o próprio fim é uma entrega covarde, uma decepção ou, pior ainda, uma rejeição da família" (KLUBER-ROSS, 2012, p.119).
Para esses guerreiros é que a partida pode ser uma oportunidade de superação. Ela não deixará de acontecer, mas sua ocorrência poderá converter-se num conclusão dos assuntos não terminados, das necessidades de recomposições e de reparo existencial.
Aqui a luta deixa de ser somente pela manutenção material da vida e passa a ser pela marcação material da imortalidade, a qual pode ser construída por opções em vida.
Essas opções são a saída para os guerreiros da sobrevivência, que sentem o dever de lutar até o fim pela vida e, para tanto, devem saber focar seus esforços não só nas tratativas de saúde, mas no seu legado enquanto ser vivo, o qual, a exemplo dos bilionários do Giving Pledge, optaram por vencer os limites da matéria e tornar-se imortais por suas ações.
Portanto, a aceição da partida, nesses casos, não se faz por um desapego da realidade material, mas sim, pela decisão consciente de deixar sua marca positiva na vida, mesmo que essa marca seja construída somente nesta fase, ainda assim haverá espaço para a sua realização antes da partida.