O Papel e as Armadilhas da Esperança em Cuidados Paliativos

            A esperança é um sentimento que sempre irá acompanhar a vida humana. Todo médico deve manter a porta da esperança aberta aos seus pacientes, tendo a sensibilidade de não lhe retirar totalmente a esperança.

            Segundo Elisabeth Klüber Ross, os pacientes demonstram maior confiança nos médicos que apresentam algum tipo de esperança, apesar das más previsões.


Isso não significa que os médicos devam contar-lhes mentiras; significa que fazemos nossa a esperança deles de que aconteça algo inesperado que possibilidade ou recuperação, e vivam mais do que o previsto. (2012,  p.144).

            A esperança é fundamental para a saúde mental do paciente, sua capacidade de manter-se hígido e suportar o tratamento. Por vezes, ela é a única saída presente em sua mente, aquilo que lhe ocupa os pensamentos, suas orações e lhe dá foco no dia a dia do processo terapêutico.
            A família também se agarra à esperança, na expectativa de que o procedimento terapêutico dê resultado ou de que um milagre aconteça.
            Os problemas com a esperança só irão ocorrer quando não restar mais solução terapêutica eficaz a se oferecer ao paciente, momentos de desesperança, frustração e desespero.
            O apoio terapêutico será fundamental para que o paciente e a família consigam lidar com o momento de crise. Atenção principalmente à família, a qual buscará por todos os meios uma saída, para tentar retornar ao estágio confortável dos momentos de esperança.
            Nessas horas é que uma armadilha das "terapias experimentais" poderá surgir no caminho, pois a fragilidade do momento poderá levar a família a investir caro.
            Deve ficar claro que, ao ser chamada de "terapia experimental ou medicamento em fase experimental, se está a informar que, apesar de gerarem alguma esperança, poderão ser inócuos, pois seus efeitos não são ainda comprovados e requerem maiores estudos e aprovação por órgãos reguladores. Outrossim, não há garantia de que um dia serão aprovados e se realmente possuem alguma eficácia aceitável.
            Nesse sentido, a opção por um "tratamento experimental" deve ser muito bem sopesada, com clareza e consciência sobre os custos e benefícios.
            O que pode pesar nessa hora, será  a crença de que se deve dar o melhor ao paciente. Não obstante, ao se dar "tratamentos experimentais", isso não pode se considerado o melhor. Ao se chegar ao estágio terminal, o melhor já fora feito antes, com os tratamentos e medicamentos validados cientificamente, pois os tratamentos experimentais também não são destinados a pacientes terminais.
            Há também riscos nessas opções, uma vez que nem todos os efeitos colaterais são conhecidos, o resultado pode ser contrário do esperado e provocar a evolução da gravidade.           
            Esses raciocínios acima são importantes para se evitar sentimentos de culpa gerados nas famílias, que por vezes são criados subliminarmente para estimular as armadilhas dos "tratamentos experimentais".
            Assim, uma vez que todo o possível, dentro dos protocolos oficiais estipulados para o tratamento já tenha sido feito e o prognóstico de terminalidade declarado, há que se pensar na qualidade de vida do paciente em cuidados paliativos.