Luto é um processo emocional natural, decorrente da morte. Pode ser verificado em fases, assim como podem ser vividas antes da partida: negação, raiva, compensação, depressão e aceitação. Mas é geralmente a fase depressiva, a qual acaba por ser incorretamente tratada com medicamentos.
Isso ocorre porque o luto não é um processo físico, não tem natureza fisiológica nem patológica, logo, não é algo a ser tratado pela Medicina. Pelo contrário, luto é uma ocorrência emocional natural, decorrente de qualquer perda ou grande frustração na vida. É uma fase essencial de adaptação à nova realidade, com a necessária autorreflexão e introspecção esperadas num processo subjetivo de modificação das condições existenciais.
Desse modo, o luto pode gerar sentimentos de tristeza naturais ao processo emocional em curso, cuja duração tende a ser superada com o tempo, com a reestruturação da vida e a compreensão da nova condição existencial, após a perda sofrida.
Estudos atuais demonstram a intensificação do uso de substâncias medicamentosas antidepressivas em casos de luto ou de tristeza. Conjuntamente, outros estudos demonstraram que o uso de tais substâncias não trouxeram qualquer resultado positivo, além daqueles obtidos no uso de placebos. Para ler mais sobre o assunto, clique aqui.
É presente nos desejos inconscientes da humanidade a busca de uma pílula para a felicidade, a alegria e o afastamento de qualquer dor. Tudo isso decorrente de uma demanda por nossa imortalidade, contra qualquer coisa que nos tire o poder de viver plenamente.
Inexoravelmente, muitos pacientes medicamentados com esses substâncias antidepressivas, pois acabam por perceber que o "remédio" não produziu o efeito desejado, uma vez que o processo do luto continua em curso. Daí muitos pacientes retornarem aos seus médicos e insistirem no mito da pílula da felicidade, pedindo doses maiores ou algo "mais forte" para o seu problema.
Essa fuga da dor ou da nossa humanidade essencial no luto, pode ser ressignificada a partir de um acompanhamento terapêutico, psicológico ou psicanalítico. Essa terapia parece ser a melhor opção, quando o sofrimento subjetivo inerente ao luto não pode ser enfrentado de maneira solitária. Nesse caso, os antidepressivos podem ser qualificados enquanto terapia auxiliar e nunca a principal, para o processo de luto.