Em post anterior, já foi defendido o direito do paciente terminal às terapias alternativas, desde que isto não implique em encerramento das terapias médicas tradicionais, salvo nos casos em que o paciente, devido ao seu prognóstico final, decida não mais seguir o tratamento, por sua livre e espontânea decisão. Mas esse direito pode se chocar com a possível ocorrência de golpes de charlatanismo curativo, do aproveitamento da fragilidade do paciente e de sua família. Como evitar isso?
A saída está em avaliar o que está sendo demandado do paciente e da família naquela terapia alternativa, em termos financeiros. Se se trata de interações de fundo religioso, lícitas e garantidas constitucionalmente, ou de propostas de prestação de serviço de algum tipo obscuro de cura, improvável, decorrente de charlatanismo ou má-fé com outras finalidades.
Se o atendimento é gratuito, nada contra. Não obstante, se há cobrança de algo, deve ser verificado o que está sendo cobrado, para o que está sendo cobrado, quem é o profissional, sua autorização legal e o fundamento dessa cobrança.
O que se busca aqui é evitar a exploração da fragilidade humana, ao se utilizar a esperança do paciente e da família, para induzir ao pagamento de terapias curativas, cujos resultados não são comprováveis.
Há que se lembrar que, se qualquer método, instrumento ou técnica fosse algo eficaz, isso já teria sido adotado pelas ciências da saúde. Sãos inúmeros os pesquisadores e as pesquisas sempre em busca de novas técnicas, medicamentos, equipamentos e possibilidades de melhorar a qualidade de vida ou permitir a cura dos pacientes. Não seriam eles os primeiros interessados obter resultados positivos?
Por outro lado, há que se desconfiar de coisas secretas, obscuras, feitas sempre em locais isolados e sem qualquer publicidade ou comprovação científica, que requeiram altas somas de dinheiro e prometam resultados fantásticos.
Geralmente os golpes acompanham o uso da palavra "cura", ou mesmo a sua obtenção em situações, para as quais as ciências não atingem.
Deve ser entendido que o espaço dos "milagres" é algo reservado ao sentimento religioso e isso não requer pagamento, o que é completamente contrário à espiritualidade desse processo. Logo, não se pode permitir o aproveitamento desse espaço da fé do paciente, seu direito e opção.