Libertarianismo e o Direito de Decidir

Libertarianismo é a corrente filosófica do pensamento que defende o máximo direito humano de decidir sobre questões personalíssimas que somente a ele são pertinentes. Com isso, o libertarianismo defendo a privação e o afastamento do Estado daquilo que só à pessoa interessa e pertence.

No campo sucessório, ser libertário contempla duas esferas de tratativa: o corpo e os bens. 

Com relação ao corpo, cabe a liberdade do indivíduo em decidir quando irá partir (morrer). Isso tem especial relevância em face de pacientes terminais, que tem o direito de exigir a interrupção de tratamentos supérfluos e degradantes, assemelhados à tortura, cuja única função é o prolongamento inútil da vida mediante dor e sofrimento.

O paciente ter direito a exigir seu retorno ao lar, para que, no seu solo familiar sagrado, possa fazer sua passagem espiritual em paz, na presença de seus entes queridos. 

No campo dos bens, o paciente é titular inequívoco do direito a estabelecer a forma como a sucessão de seus bens irão ocorrer, evitando assim, brigas futuras entre os herdeiros. O caminho é a antecipação da distribuição da herança em vida, mediante doações aos filhos. Pode também, estabelecer um testamento, garantindo assim, sua disposição de última vontade.

Para um indivíduo libertário, antes de tudo, está em jogo seu poder existencial de controlar os atos no entorno da partida a qual, apesar de certa, poderá ser vivenciada em conformidade com o ritual de libertação espiritual disponível, à consciência matura para tanto.

Pelo lado da vida privada, é importante o exercício das prerrogativas individuais, para impedir que o Estado interfira indevidamente na vontade do testador. Há que se pacificar a todos e assim, evitar ações judiciais de décadas, sob o julgo de alguém totalmente estranho à família e sem nenhuma sensibilidade afetiva pelo testador.

Pelo lado dos herdeiros, é ato libertário a escolha pelo procedimento extrajudicial de inventário, libertando a todos dos grilhões de uma ação judicial sem fim, inútil e desestruturadora da família. O melhor para todos, se faz pelo diálogo e a busca de um meio termo equilibrado, com vistas à libertação do testador in memoriam.