Perdas, Lutos e a Constante Aprendizagem da Partida

A vida é feita de perdas e ganhos. Com o passar dos anos, ganha-se em experiência, mas perde-se em juventude, dentro de uma constante de aprendizagens. Cada qual, por vezes, escolhe de formas conscientes e inconscientes a aprendizagem que deseja vivenciar.

A cada aprendizagem sempre haverá um ganho, mas inexoravelmente também uma perda, algo que será deixado para trás. Seguir em frente representa a condição adequada de quem integrou a aprendizagem e continuou o curso da história a novos desafios.

Entretanto, no caminho sempre haverá perdas que, por sua extensão e impacto, acabam por exigir um período de aprendizagem a maior, uma necessidade de reconfiguração mental e emocional, um tempo essencial de transformação e transmutação chamado de luto.

O luto sempre estará presente após qualquer perda. Mas ele será mais ou menos percebido em conformidade com o impacto e com os desapegos a serem exigidos de quem perdeu algo. É comprovado de que as perdas são sempre mais percebidas em intensidade do que os ganhos.

Perder, cultural e socialmente, é algo indesejado, a representar mentalmente um dano ao indivíduo, a ser evitado ao máximo. Daí talvez a cultura hospitalar de se tentar evitar a morte a qualquer custo, mesmo que isso signifique somente manter o paciente terminal em sofrimento prolongado.

Aceitar a perda, não necessariamente é entregar os pontos. Por vezes, aceitar a perda é reconhecer a chegada da aprendizagem a ser vivenciada e, com ela, a partida a uma nova condição, quando então os ganhos virão, em outros planos ou possibilidades de novas construções no caminho.