Com o título "When Cancer Treatment Offers Hope More Than The Cure", um artigo do New York Times descreve a atual situação de certos tipos de tratamentos quimioterápicos na atualidade, cuja função direta não é de curar o paciente e sim prolongar sua vida, mas cujo uso acaba por servir também enquanto motivo de esperança aos pacientes. Para ler mais, clique aqui.
É inerente ao ser humano a negação da própria morte. O processo de luto e desapego do paciente terminal não é algo fácil e por, muitos, combatido até o seu derradeiro final. Esse apego à vida leva ao afastamento do contexto espiritual da partida a todo custo, elegendo-se o quimiotecnicismo medicamentoso como a panaceia salvadora.
Como o mecanismo psicológico da esperança de sobrevida no paciente terminal é o último recurso que lhe resta de apego à materialidade, uma vez superado, o paciente terminal entrará na sua última fase do luto, o da aceitação da eminente partida.
Não é fácil lidar com essa ocorrência. Quando mais materialista, mais apego e isso implica diretamente na busca de novos tratamentos quimioterápicos, mesmo que esses acabem por destruir a restante qualidade de vida do paciente terminal, em prol da manutenção de sua esperança insustentável de cura.
Do ponto de vista médico, não seria uma hipótese de distanásia permitir tal ocorrência, quando se sabe que não há mais possibilidade de cura ou utilidade no uso de tais tratamentos, ao se atender o pedido do paciente terminal em avançar na quimioterapia?
Seria justo manter-se o custo operacional de tais tratamentos intensivistas e especializados, quando se observa que, dentro da reserva do possível, existem outras demandas também graves e sérias na área da saúde, em face de situações remediáveis que deveriam ser priorizadas?
Em países onde a desigualdade é reinante, com pessoas morrendo na fila de atendimentos básicos, talvez tais discussões não sejam ainda importantes, apesar de já refletirem no modo individual de apropriação dos recursos econômicos por uma manutenção de vida inconcebível, em face de sua finitude.