Quimioterapia terminal: utilidade ou inutilidade?

Quando o paciente é declarado terminal, isto é, com prognóstico de enfermidade incurável cujo desfecho será o óbito em tempo delimitado, a Medicina está a atestar que não existe mais nenhum procedimento químico, radiológico ou cirúrgico, capaz de produzir a cura.

Nessas situações, o procedimento esperado é de se iniciar a fase dos chamados "cuidados paliativos", com a finalidade de reduzir os efeitos degradantes e o sofrimento em decorrência do avanço incontrolável da doença terminal, e gerar conforto, bem-estar e acolhimento ao paciente.

Porém, existem pessoas que, mesmo assim, permanecem na fase do luto da negação e, com isso, decidem seguir em frente na luta contra a enfermidade, na espera de que algo mágico ou santificado lhes aconteça, mesmo que, para isso, tenham que sacrificar seu bem-estar final.

Por mais que o paciente possa e deva se sentir único e merecedor de uma benção, as estatísticas diárias dos centros oncológicos são claras e contrárias aos milagres. Isso sem falar no fato de que, tal forma de autoengano, pode retirar tempo precioso de vida, o qual poderia ser vivido na plenitude, ao se realizar ainda os sonhos e desejos não efetivados, além de poder organizar a partida, da melhor maneira que lhe provier.

Do ponto de vista espiritual, para quem a possui, não seria uma incoerência destruir com química inócua, o tempo preciso de vida ainda restante, ao lutar por algo que, do ponto de vista metafísico, terá um contínuo certo a seguir?

Norma Bauerschimdt, uma idosa americana de 91 anos, decidiu passar seus últimos meses de vida, após receber o prognóstico de terminalidade de outra maneira. Abandonou a quimioterapia e foi viajar por seu país e conhecer lugares que sempre sonhou em visitar. Essa ocorrência virilizou na internet e ela ficou conhecida por essa ocorrência. Para saber mais, clique aqui.

Logo, quando o assunto é quimioterapia terminal, há que se avaliar bem qual o sentido de se prosseguir no tratamento. Deve-se lembrar dos efeitos nefastos desse tipo de terapia sobre o organismo, o mal-estar causado, a indisposição, a perda de apetite e de ânimo e de estética pessoal. 

Submeter-se a tal estado de coisas, uma vez que haja experiência de sobrevida, é importante. Todavia, quando há o prognóstico de terminalidade, poderá significar jogar fora o tempo de vida que lhe resta. Espiritualmente, isso pode significar uma partida conturbada, com coisas em haver e desacertos não resolvidos, que ficaram para a família o encargo de corrigir.

Avançar à fase do luto da aceitação, não significa desistir da vida, mas dar a ela o valor máximo e aproveitar plenamente a cada minuto restante, com a certeza de que o partir, nada mais é do que uma viagem, com porto de chegada no próximo aeroporto espiritual.

Liberdade, autonomia e ser a senhora ou senho de si é o mínimo que se espera quando se vai partir. Norma Bauerschmidt, um exemplo libertário a seguir. https://www.facebook.com/DrivingMissNorma
(RIP 30/09/2016).